Vida de Santa Monegunda de Tours e Santos Processo e Martiniano (2 de julho)
- 2 de jul. de 2025
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Em Roma, esses mártires eram venerados pelo menos desde o século IV. O Martirológio Romano e o Breviário baseiam-se numa lenda do século VI. Segundo essa lenda, São Pedro e São Paulo, enquanto estavam encarcerados na prisão Mamertina, converteram com sua pregação e milagres Processo, Martiniano e outros quarenta guardas, os quais, por sua vez, ofereceram-lhes a liberdade. Uma fonte brotou milagrosamente da rocha para que São Pedro pudesse batizar os neófitos.
O chefe da prisão, Paulino, tentou fazer Processo e Martiniano apostatarem; como não conseguiu convencê-los a oferecer incenso no altar de Júpiter, submeteu-os a cruéis torturas, durante as quais os dois mártires repetiam constantemente: “Bendito seja o nome do Senhor!” Então, Paulino mandou decapitá-los.
Conta-se que uma mulher chamada Lucina sepultou os mártires em um terreno de sua propriedade, junto à Via Aurélia, a dois quilômetros de Roma. No século IV, foi erguida uma basílica sobre o túmulo desses santos. São Gregório Magno pregou ali sua trigésima segunda homilia, na qual afirma que, na basílica dos dois mártires, os enfermos recobram a saúde, os possessos são libertos dos maus espíritos, e os perjúros são atormentados. No início do século IX, o Papa São Pascoal trasladou as relíquias de Processo e Martiniano para São Pedro, onde ainda repousam atualmente, no altar do cruzeiro dedicado ao seu nome.
Nas Acta Sanctorum, julho, vol. I, podem-se ver as atas desses mártires. Pio Franchi de Cavalieri estudou essa lenda a fundo em Studi e Testi, vol. XIX, pp. 97-98, e XXIII, 35-39. Esse autor demonstra que, no século IV, ainda não existia a tradição de que os dois santos haviam sido carcereiros de São Pedro e São Paulo; supõe também que o episódio do batismo teve provavelmente origem nos afrescos das catacumbas em que São Pedro aparece como um novo Moisés, fazendo brotar água da rocha e dando de beber a dois soldados que representam a multidão. Ver também Delehaye, CMH, pp. 347-348.1

Santa Monegundis, nascida em Chartres, encontrava sua alegria nas duas filhas que Deus lhe concedera no matrimônio. Quando a morte lhas arrebatou, a santa, esmagada pela dor, decidiu abandonar o mundo e consagrar-se inteiramente ao serviço de Deus, pois temia que o sofrimento a levasse a voltar-se sobre si mesma e a esquecer-se do Criador. Assim, com o consentimento do esposo, construiu uma cela em Chartres e nela se enclausurou. A cela tinha como único mobiliário uma esteira, sobre a qual a santa tomava seu breve descanso. Seu único alimento era um pouco de pão de aveia embebido em água. Mais tarde, Monegundis transferiu-se para Tours, onde continuou a viver da mesma forma, numa cela próxima à igreja de São Martinho. Com o tempo, numerosas mulheres a imitaram, e a cela transformou-se no mosteiro de Saint-Pierre-le-Puellier. Sobre o túmulo da santa realizaram-se numerosos milagres.
São Gregório de Tours deixou-nos um relato da vida de Santa Monegundis em seu tratado De Vitiis Patrum. Ver também Acta Sanctorum, julho, vol. I, e Y. Delaporte, Les principaux saints du diocèse de Chartres.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 6–7.
2. Ibid. p. 7.






















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