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Vida de Santa Catarina de Alexandria e São Mercúrio, Mártir (25 de novembro)





Santa Catarina de Alexandria, por Michelangelo Merisi da Caravaggio
Santa Catarina de Alexandria, por Michelangelo Merisi da Caravaggio

Desde o século X, ou ainda antes, Santa Catarina de Alexandria é muito venerada no Oriente. No entanto, desde a época das Cruzadas até o século XVII, a santa tornou-se ainda mais popular no Ocidente.


Com efeito, numerosas igrejas lhe foram dedicadas e sua Festa era celebrada com grande solenidade; ela foi incluída no número dos Catorze Santos Protetores e venerada como Padroeira das Estudantes, dos Filósofos, dos Pregadores, dos Apologistas, dos Moleiros, etc. Adão de São Vítor escreveu um poema em sua honra. Sua voz foi uma das que Santa Joana d’Arc ouviu. Bossuet dedicou-lhe um de seus mais célebres panegíricos. Apesar de tudo, não sabemos com certeza absolutamente nada sobre a vida da santa.


Segundo suas “atas”, que carecem de valor, ela pertencia a uma nobre família de Alexandria. Durante seus profundos estudos, Catarina conheceu o cristianismo e converteu-se graças a uma aparição da Virgem e do Menino Jesus. Na infância, ela também teria visto a si mesma casando com Nosso Senhor: apareceu-lhe o Menino Jesus e pôs-lhe no dedo uma aliança. Esse matrimônio místico prefigurava a participação de Catarina na Paixão de Cristo, seu Esposo.


Quando estourou a perseguição de Majêncio, Catarina, que tinha apenas dezoito anos e era extraordinariamente bela, apresentou-se diante dele e lançou-lhe em rosto sua tirania. Majêncio não pôde responder a seus argumentos contra os deuses e reuniu cinquenta filósofos para refutá-la.


Santa Catarina subjugando o imperador. Pintura de Claudio Coello.
Santa Catarina subjugando o imperador. Pintura de Claudio Coello.

Os filósofos converteram-se à fé, vencidos pela sabedoria de Catarina, e foram condenados pelo imperador a perecer na fogueira. Em seguida, Majêncio tentou convencer a santa com lisonjas e ofereceu-lhe casamento com um príncipe. Catarina recusou indignada, pelo que foi espancada e encarcerada.


Majêncio partiu para inspecionar um campo militar. Ao regressar, soube que sua esposa e um cortesão haviam ido, por curiosidade, visitar Catarina e haviam se convertido, junto com 200 soldados da guarda. O imperador mandou matá-los e condenou Catarina a morrer numa roda guarnecida de pontas afiadas (daí procede o nome da “roda de Santa Catarina”). Mas, tão logo os guardas colocaram Catarina sobre a roda, suas ataduras se soltaram milagrosamente, a roda quebrou-se, e as pontas de ferro voaram pelo ar e mataram muitos dos presentes. Então a santa foi decapitada: de seu pescoço brotou um líquido branco como leite. Existem certas variantes da lenda, como a conversão de Catarina na Armênia e os detalhes inventados pelos cipriotas na Idade Média para provar que a santa vivera em Chipre.


“Decapitação de Santa Catarina”, pelo Mestre de Colônia, século XV
“Decapitação de Santa Catarina”, pelo Mestre de Colônia, século XV

Todos os textos das “atas” afirmam que os anjos trasladaram seu corpo ao Sinai, onde mais tarde se construiu uma igreja e um mosteiro; mas acontece que os primeiros peregrinos que foram ao Sinai nada sabiam dessa lenda. No ano 527, o imperador Justiniano construiu um mosteiro fortificado para os eremitas do Sinai. Segundo se diz, lá foram trasladadas as supostas relíquias de Santa Catarina nos séculos VIII ou IX. Atualmente, o grande mosteiro do Sinai, outrora tão famoso, é apenas uma sombra do que foi, mas ainda conserva as supostas relíquias de Santa Catarina, sob os cuidados dos monges da Igreja Ortodoxa Oriental.


Alban Butler cita as seguintes palavras do arcebispo Falconio de Santa Severina: “O significado da expressão de que os anjos trasladaram o corpo da Santa ao Sinai é que os monges o levaram ao seu mosteiro para enriquecê-lo devotamente com tão preciosa relíquia. Como é bem sabido, em certa época o hábito religioso era designado com o nome de ‘hábito angélico’ e os monges eram chamados ‘anjos’ por sua pureza celestial e suas funções.” As expressões “Vida angélica” e “Hábito angélico” ainda são usadas com frequência na vida religiosa do Oriente.


Alban Butler comenta em outra parte: “O sexo feminino não é menos apto que o masculino para as ciências sublimes, nem se distingue menos pela vivacidade de seu gênio.” Ainda hoje Santa Catarina é considerada Padroeira dos Filósofos Cristãos, por causa de sua erudição.


“Santa Catarina transportada pelos anjos”, pintura de Karl von Blaas.
“Santa Catarina transportada pelos anjos”, pintura de Karl von Blaas.

Há muitas versões gregas e latinas da lenda de Santa Catarina. Os elementos essenciais do relato não variam muito de uma versão a outra. O texto grego de Simeão Metafrasto, que data do fim do século X, pode ser visto em Migne, P. G., vol. CXVI, pp. 276-301. Há outro texto ligeiramente anterior; veja-se BHG., nº 31. O tom da notícia biográfica do cardeal Schuster, The Sacramentary (1930), vol. V, p. 302, prova que a opinião geral dos historiadores é que a lenda de Santa Catarina não merece crédito algum. O cardeal afirma que tal lenda “não possui, infelizmente, nenhum documento que a sustente”. Os antigos calendários orientais e egípcios não mencionam seu nome. No Ocidente, o culto da santa começou apenas por volta do século X. Cf. Delehaye, Les Martyrs d’Égypte (1923), pp. 35-36, 123-124; e Legends of the Saints, p. 57; W. L. Schreiber, Die Legende des hl. Catherine von Alexandria (1931). Sobre Santa Catarina na arte, cf. Künstle, Ikonographie, vol. I, pp. 369-374, e Drake, Saints and their Emblems (1916), p. 24. Sobre os aspectos folclóricos, veja-se Bachtold-Stäublí, Handwörterbuch des deutschen Aberglaubens, vol. IV, pp. 1074-1084. Encontra-se uma boa apresentação de todo o assunto em Baudot e Chaussin, Vies des Saints, vol. XI (1954), pp. 854-872.1





Afresco de São Mercúrio na Igreja de Chora, em Istambul
Afresco de São Mercúrio na Igreja de Chora, em Istambul

São Mercúrio é um dos “santos guerreiros”, tão populares no Oriente. Está fora de dúvida que realmente morreu pela fé. Mas as diversas versões de suas atas são simplesmente novelas piedosas. Segundo elas, Mercúrio era filho de um oficial cita que se encontrava em Roma. Mercúrio também abraçou a carreira militar e chegou a ter o grau de “primicerius”. Quando os bárbaros ameaçaram Roma, o imperador Décio ficou aterrorizado. Mercúrio o alentou e colocou-se à frente das tropas imperiais, armado de uma espada que um anjo lhe havia dado. Depois de uma grande vitória, Décio notou que Mercúrio não assistia à cerimônia de ação de graças aos deuses e mandou chamá-lo. Ao apresentar-se, Mercúrio tirou a capa e o cinturão militar diante do imperador, dizendo: “Não negarei meu Senhor Jesus.” Décio, temeroso de ferir a simpatia dos romanos por Mercúrio, enviou-o a Cesareia da Capadócia para que ali fosse torturado.


Segundo a lenda oriental, 113 anos mais tarde, São Basílio invocou a ajuda de São Mercúrio contra Juliano, o Apóstata. Deus fez então de São Mercúrio o instrumento de sua vingança, pois o santo desceu do céu brandindo uma espada, com a qual deu morte ao ímpio imperador. No Egito, São Mercúrio é chamado “Abu Saifain” (“Pai das Duas Espadas”), em razão de suas proezas militares e da arma com que sempre é representado. Nesse país há muitas igrejas dedicadas ao santo. Segundo se diz, São Mercúrio apareceu em Antioquia aos soldados da Primeira Cruzada, junto com São Jorge e São Demétrio.


Ícone copta de São Mercúrio, de Yuhanna al-Armani na Igreja Suspensa, Cairo.
Ícone copta de São Mercúrio, de Yuhanna al-Armani na Igreja Suspensa, Cairo.

O Pe. Delehaye estudou profundamente a legenda de São Mercúrio. Em sua obra Les légendes grecques des saints militaires (1909), não somente discute os incidentes narrados nesse relato tão pouco fidedigno (pp. 91-101), como também edita, em um apêndice (pp. 234-258), os dois textos gregos de maior interesse. Ao que parece, a afirmação do peregrino Teodósio (c. 525) de que São Mercúrio está sepultado em Cesareia constitui o primeiro testemunho certo acerca da existência do mártir. Dada a popularidade do santo no Egito, nada há de estranho em que seu nome figure em muitos sinaxários etíopes. Na tradução de Sir E. Wallis Budge desses sinaxários (4 vols., 1928), há um índice muito completo, no qual se encontram numerosas referências a São Mercúrio. Budge publicou também, em Miscellaneous Coptic Texts (1915), a tradução de uma paixão copta. Veja-se S. Binon, Essai sur le cycle de St Mercure (1937), e Documents grecs inédits relatifs… (1937).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, pp. 417-418.

2. Ibid. pp. 418-419.



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