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Vida de São Toríbio de Mogrovejo e São José Oriol (23 de março)

  • há 17 horas
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São Toríbio de Mogrovejo, arcebispo de Lima
São Toríbio de Mogrovejo, arcebispo de Lima

Toríbio Afonso de Mogrovejo nasceu em 18 de novembro de 1538 em Mayorga, província de Leão, Espanha. Desde a infância sentiu inclinação para a piedade e tinha horror ao pecado; em vez de jogos, encontrava prazer em adornar os altares e servir aos pobres. Devotíssimo da Santíssima Virgem, rezava diariamente seu ofício, o Rosário e jejuava todos os sábados. Mais de uma vez foi necessário moderar suas mortificações; durante seus estudos em Valladolid e Salamanca, dava boa parte de seus alimentos aos pobres.


Muito cedo, o rei Felipe II teve ocasião de conhecer os méritos do jovem estudante e lhe confiou cargos importantes, chegando a nomeá-lo presidente do Tribunal da Inquisição em Granada, apesar de ser apenas leigo. Depois de exercer seu ofício durante cinco anos, satisfatoriamente para todos, Toríbio foi eleito para ocupar a sede arquiepiscopal de Lima, capital do Peru. Uma série de escândalos impedia a conversão dos infiéis naquele país da América e, na corte espanhola, considerava-se que Toríbio era o único homem capaz de remediar os excessos. Mas ele recebeu a notícia de sua eleição como um acontecimento funesto: consternado e com o rosto banhado em lágrimas, lançou-se aos pés do crucifixo; escreveu imediatamente ao Conselho do Rei uma longa carta na qual declarava sua incapacidade e recordava os cânones da Igreja que proibiam elevar um leigo ao episcopado. Esse ato de humildade foi para Toríbio fonte de graças. Suas razões não foram aceitas e teve de consentir em sua eleição.


São Turíbio de Mogrovejo faz brotar água de uma rocha
São Turíbio de Mogrovejo faz brotar água de uma rocha

Toríbio preparou-se então para sua ordenação; pediu para receber as quatro ordens menores em tantos domingos, para ter tempo de cumprir suas funções; depois recebeu as demais ordens, foi consagrado bispo e embarcou sem demora para o Peru. Chegou em 1581, quando acabava de completar quarenta e dois anos. A diocese de Lima tinha cento e vinte quilômetros de extensão ao longo da costa; além de várias cidades, compreendia uma multidão de aldeias dispersas pela cordilheira dos Andes. Os conquistadores haviam se comportado como verdadeiros tiranos em relação aos índios e, após a conquista, desencadearam-se guerras civis e dissensões internas; os costumes haviam caído em estado deplorável e, em vez de reagir, os clérigos contribuíam com sua conduta para aumentar os escândalos. O santo arcebispo não pôde conter as lágrimas ao constatar todas aquelas desordens e propôs-se a recorrer a todas as medidas necessárias para remediá-las. Suas primeiras ordens, enérgicas e prudentes, conseguiram deter o curso dos escândalos públicos em Lima e, assim, o arcebispo pôde empreender a visita de sua diocese, à qual dedicou sete anos. É impossível dar uma ideia precisa dos perigos que enfrentou, das fadigas e penúrias que suportou; teve de escalar altíssimas montanhas escarpadas, cobertas de gelo ou neve, para chegar às miseráveis choças dos pobres índios. Frequentemente precisava viajar a pé; mesmo assim orava e jejuava sem cessar para garantir os frutos de seus trabalhos apostólicos. Em toda parte colocou pastores sábios e zelosos, foi o flagelo dos pecadores públicos e o protetor dos oprimidos, sem considerar posição, dignidade ou poder das pessoas que precisava corrigir. Medidas tão enérgicas lhe trouxeram perseguições; indisposições com os governantes do Peru, que sacrificavam tudo aos seus prazeres e interesses; mas Toríbio enfrentou seus inimigos com paciência e doçura, sem abandonar sua firmeza contra o mal. Muitos poderosos, para justificar abusos, alegavam que era costume; mas sua argumentação era vã, pois Toríbio respondia invariavelmente, como Tertuliano, que Jesus Cristo se chama verdade e não costume e que, no tribunal de Deus, nossas ações serão pesadas na justíssima balança do Santo dos Santos.


São Turíbio de Mogrovejo impõe o nome “Rosa” na Confirmação de Santa Rosa de Lima
São Turíbio de Mogrovejo impõe o nome “Rosa” na Confirmação de Santa Rosa de Lima

A fim de que sua obra se expandisse e se perpetuasse, Toríbio decidiu realizar sínodos diocesanos a cada dois anos e sínodos provinciais a cada sete. Fundou seminários, igrejas e hospitais. Quando a peste atingiu parte de sua diocese, privou-se até do necessário para socorrer as vítimas e recomendou a penitência como único meio de aplacar a indignação do Céu. Nessa ocasião organizou procissões públicas às quais ele mesmo comparecia como um penitente, com os olhos cheios de lágrimas, fixos em um Santo Cristo que levava erguido, oferecendo sua própria vida a Deus pela conservação de seu rebanho. Suas orações, jejuns e vigílias extraordinárias duraram todo o tempo da peste.


Enfrentava os maiores perigos se com isso pudesse proporcionar a uma alma o menor benefício; teria dado a vida com gosto por qualquer de seus diocesanos. Quando sabia que pobres índios, para fugir da barbárie de seus opressores, vagavam pelas montanhas ou desertos, ia ao seu encontro através de terríveis solidões, onde havia apenas feras, para levar-lhes socorro e consolo. Por três vezes percorreu sua diocese: a segunda visita durou cinco anos e a terceira um pouco menos; o fruto foi a conversão de um grande número de índios. Durante as viagens, dedicava-se à oração; ao chegar a qualquer lugar, sua primeira preocupação era ir à igreja. Às vezes permanecia vários dias onde fosse necessário instruir os índios, mesmo faltando o indispensável. Pregava e catequizava com zelo incansável e, para isso, decidiu aprender as diversas línguas e dialetos das tribos. Também teve a glória de renovar a Igreja no Peru, pois, embora não fosse o primeiro apóstolo, a ele se deve o restabelecimento da devoção quase extinta. Os decretos dos concílios provinciais de seu episcopado permanecem como monumentos de sua piedade, sabedoria e prudência; foram considerados oráculos não só no Novo Mundo, mas também na Europa e até em Roma. Sua obra foi comparada à de São Carlos Borromeu na Itália.


Milagre de São Toribio, arcebispo de Lima, por Sebastiano Conca (Museu do Vaticano, Pinacoteca)
Milagre de São Toribio, arcebispo de Lima, por Sebastiano Conca (Museu do Vaticano, Pinacoteca)

O prelado, tão zeloso pela salvação do próximo, não descuidava de sua própria santificação; confessava-se quase todas as manhãs e celebrava diariamente a Missa com piedade angelical. A glória de Deus era o fim de todas as suas palavras e ações, de modo que sua vida era uma oração contínua. Tinha, porém, horários fixos para os exercícios espirituais; nesses momentos, um brilho especial iluminava seu rosto. Por humildade, ocultava suas mortificações e boas obras; sua caridade para com os pobres era ilimitada, ajudando a todos sem distinção, mas com especial cuidado pelos pobres envergonhados.


O arcebispo Toríbio adoeceu em Santa, uma vila a 440 quilômetros de Lima, quando iniciava mais uma visita pastoral. Predisse sua morte próxima e prometeu recompensa a quem lhe anunciasse que não havia esperança de cura. Deu aos seus auxiliares tudo o que possuía para uso pessoal e deixou o restante aos pobres. Pediu ser levado à igreja para receber o viático, mas foi considerado prudente levá-lo de volta ao leito, onde recebeu a extrema-unção. Durante a agonia repetia: “Desejo partir para estar com Cristo”. Pediu que cantassem: “Alegrei-me quando me disseram: iremos à casa do Senhor!”. Em 23 de março de 1606, morreu dizendo: “Senhor, entrego minha alma em tuas mãos.”


No ano seguinte, seu corpo foi levado de Santa para Lima e encontrado incorrupto. Relatos afirmam que ressuscitou um morto e curou muitos enfermos, operando também milagres após sua morte.


Foi beatificado em 1679 por Inocêncio XI e canonizado em 1726 por Bento XIII.


Vejam-se as atas de beatificação e canonização de São Toríbio. Cipriano de Herrera, Vida de São Toríbio, dedicada ao Papa Clemente X.1




São José Oriol meditando a Paixão (Museu Diocesano, Ibiza, Espanha)
São José Oriol meditando a Paixão (Museu Diocesano, Ibiza, Espanha)

José Oriol nasceu em Barcelona e passou quase toda a sua vida nessa cidade. Como seu pai morreu quando ele ainda estava no berço, sua mãe contraiu segundas núpcias com um sapateiro, que amou seu pequeno enteado como se fosse seu próprio filho. Logo José tornou-se menino do coro na igreja de Santa Maria del Mar e os clérigos, percebendo que passava horas em oração diante do Santíssimo Sacramento, ensinaram-lhe a ler e a escrever, reconhecendo nele uma vocação sacerdotal. Posteriormente, o prepararam para cursar a universidade. Com a morte de seu padrasto, a mãe de José caiu em grande pobreza e o menino foi viver com sua ama de leite, que lhe tinha grande afeto. A vida do jovem como estudante foi extremamente exemplar. Depois de receber o doutorado e ser elevado à dignidade sacerdotal, José aceitou o trabalho de tutor em uma família rica para sustentar sua mãe. Também ali conquistou todos os corações e foi considerado santo, mas ele não se iludia a respeito de si mesmo, pois Deus lhe havia mostrado quão distante estava da perfeição. Como consequência dessa revelação, fez voto de abstinência perpétua e viveu o resto de seus dias a pão e água. Aumentou também suas penitências corporais e usava roupas tão pobres que frequentemente era insultado nas ruas de Barcelona.


São José Oriol dando esmolas
São José Oriol dando esmolas

Já não tendo a obrigação de sustentar sua mãe, que morreu em 1686, José empreendeu viagem a Roma para venerar os túmulos dos Apóstolos, fazendo o percurso a pé. Na Cidade Eterna, o Papa Inocêncio XI concedeu-lhe um benefício eclesiástico em sua cidade natal, Barcelona, e, como sacerdote encarregado das almas, continuou vivendo em total abnegação. O pequeno quarto que alugou no terraço de uma casa não tinha mais que um crucifixo, uma mesa, um banco e alguns poucos livros; era tudo de que precisava. Os rendimentos de seu ministério eram destinados aos pobres, tanto em esmolas para os vivos quanto em Missas pelos mortos. Não precisava de cama, pois raramente dormia mais de duas ou três horas por noite. São José tinha o dom da direção espiritual e passava todo o tempo livre no confessionário. Em certa ocasião, foi acusado de severidade excessiva ao impor penitências consideradas prejudiciais à saúde. Seus críticos levaram o caso ao bispo, que o suspendeu, mas a proibição durou pouco: o bispo morreu pouco depois e seu sucessor restituiu-lhe todas as faculdades. Seu zelo apostólico abrangia todos: dedicava-se à educação das crianças e tinha grande influência entre os soldados, conquistando-os por sua cordialidade. É curioso que, em meio a essa vida ativa, tenha desejado ardentemente o martírio e decidido ir a Roma para oferecer-se à Congregação da Propagação da Fé. Apesar das tentativas de dissuadi-lo, partiu para a Itália, mas em Marselha adoeceu e a Santíssima Virgem, em visão, disse-lhe que sua intenção fora aceita, mas que deveria voltar a Barcelona e dedicar-se aos doentes.


São José Oriol meditando a Paixão
São José Oriol meditando a Paixão

Seu retorno foi recebido com grande alegria. A fama de seu poder de cura espalhou-se amplamente e doentes vinham de longe em busca de cura. Seus milagres se multiplicaram e, certa vez, seu confessor proibiu-o de curar dentro da igreja, por causa das aglomerações. O santo, porém, sempre evitava chamar atenção e atribuía as curas ao Sacramento da Penitência, mas tais dons não podiam permanecer ocultos. Como muitos santos, também possuía o dom da profecia e previu, entre outras coisas, o momento de sua própria morte. Após receber os últimos sacramentos e pedir que fosse recitado o “Stabat Mater”, morreu em 23 de março de 1702, aos 53 anos.


Grandes multidões reuniram-se ao redor de seu corpo e, no dia do sepultamento, foi necessário fechar as portas da catedral. Seus poucos pertences foram disputados como relíquias e sua fama de santidade cresceu ainda mais com o tempo. São José Oriol foi canonizado em 1909.


A bula de canonização, Acta Apostolicae Sedis, vol. 1 (1909), pp. 605-622, de extensão quase sem precedentes, apresenta um resumo completo de sua vida. A principal biografia publicada é a de J. Ballester de Claramunt, Vida de São José Oriol, presbítero (1909); há também outras, escritas em espanhol e catalão por M. E. Anzizu e Masden, e uma em italiano por Salotti.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 635-638.

2. Ibid. pp. 638-639.



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- Santo Afonso MARIA
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