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Festa da Transfiguração de Jesus Cristo (6 de agosto)

  • 6 de ago.
  • 2 min de leitura
A Transfiguração de  Cristo, por Giovanni Bellini (circa 1430–1516)
A Transfiguração de Cristo, por Giovanni Bellini (circa 1430–1516)

O Redentor quis manifestar sua majestade no mistério da Transfiguração para mostrar que, no meio do sofrimento, encontra-se a consolação e para nos deixar um símbolo sensível da glória que nos espera no outro mundo. Estando na Galileia, mais ou menos um ano antes da Paixão, Cristo escolheu como testemunhas de sua glória os três discípulos prediletos que deveriam presenciar mais tarde a agonia no Horto das Oliveiras: Pedro, Tiago e João. Quis que fossem três testemunhas, para que não se pudesse duvidar de seu testemunho e, ao mesmo tempo, não quis mostrar publicamente sua glória para nos ensinar a guardar em segredo as graças e favores espirituais que recebemos. Quem se vangloria dessas graças não é guiado pelo Espírito de Deus, mas pelo amor-próprio ou orgulho, que o expõe a ilusões perigosas. Os verdadeiros discípulos de Cristo amam o oculto e, sem por isso deixarem de convidar todas as criaturas a louvar com eles a Deus, têm por lema as palavras de Isaías (14, 16): “Meu segredo para mim”. Dessa forma, evitam que lhes seja atribuída a glória que só a Deus se deve. Por isso, Jesus Cristo quis realizar o milagre de sua Transfiguração longe dos olhares dos homens e conduziu os três Apóstolos escolhidos a uma montanha, depois de anunciar-lhes que, como era seu costume, desejava retirar-se à oração na solidão.


A Transfiguração de Cristo, por Carl Bloch (1834–1890)
A Transfiguração de Cristo, por Carl Bloch (1834–1890)

A tradição afirma, como observam São Cirilo de Jerusalém, São João Damasceno e outros Santos Padres, que o Senhor se dirigiu ao Monte Tabor, que se ergue como uma espécie de monte de açúcar na planície da Galileia. Aquele foi o lugar onde o Filho de Deus se mostrou em toda sua glória. A Transfiguração aconteceu enquanto orava, porque é na oração que as almas recebem geralmente as consolações divinas e saboreiam a suavidade das doçuras de Deus. Muitos cristãos ignoram esse efeito da oração, porque jamais se consagraram a ela com fervor e perseverança, nem procuraram desprender-se das criaturas mediante a humildade, a abnegação de si mesmos e a mortificação dos sentidos. Quem não é puro de coração não verá a Deus. O cristão bem disposto recebe do Espírito Santo o espírito de oração e se purifica cada vez mais, espiritualizando seus afetos. A Transfiguração do Senhor é, entre outras coisas, o protótipo eminente da transfiguração dos afetos do cristão.


No Oriente é mais pronunciada do que no Ocidente a tendência de comemorar com festas especiais os acontecimentos narrados nos Evangelhos. Por conseguinte, o mais provável é que a festa da Transfiguração tenha origem oriental. O que se sabe com certeza é que antes do ano 1000 já se celebrava solenemente a festa da Transfiguração na Igreja bizantina, no dia 6 de agosto. Ver o Synaxarium Constant. (ed. Delehaye, p. 897), e Nilles, Kalendarium Manuale, vol. I, pp. 235-238. Algumas Igrejas do Ocidente celebravam esporadicamente a Transfiguração em datas diversas. O Papa Calisto III a converteu em festa da Igreja universal para comemorar a vitória obtida contra os turcos em 1456. Cf. F. G. Holweck, Calendarium festorum Dei et Dei Matris (1925), pp. 258-259.1



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, p. 273.



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