Vida do Papa São Marcelo I e São Honorato de Arles (16 de janeiro)
- 16 de jan.
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Marcelo havia sido ordenado sacerdote sob o Papa São Marcelino, a quem sucedeu no ano 308, depois que a Sé de Pedro permaneceu vacante durante três anos. O Papa São Dâmaso, em seu epitáfio do santo, diz que Marcelo atraiu a hostilidade de muitos cristãos tíbios por ter exigido o cumprimento dos cânones penitenciais, e que o imperador Maxêncio o desterrou por causa da severidade que demonstrara para com um apóstata. Marcelo I morreu no desterro, não se sabe onde, no ano 309. O Liber Pontificalis afirma que Lucina, viúva de Piniano, que havia hospedado São Marcelo em Roma, transformou sua casa em igreja após a morte do santo e lhe deu o nome do Papa falecido. As “atas” de São Marcelo, relatam que o tirano o condenou, entre outras penas, a guardar o gado. Os sacramentários e martirológios antigos o colocam no número dos mártires, mas o relato de seu martírio data do século V e está em contradição com o epitáfio de São Dâmaso. O corpo de São Marcelo encontra-se em Roma, sob o altar-mor da igreja que leva seu nome e dá título a um cardeal.
A difícil questão da cronologia do breve pontificado de São Marcelo foi amplamente discutida por Mons. Duchesne (Liber Pontificalis, vol. 1, pp. XCIX e 164) e pelo Pe. Grisar (Kirchenlexikon, vol. VI, cc. 656-658); cf. também Duchesne, em “Mélanges d’arch…”, 1898, pp. 382-392, e CMH, pp. 42-43.1

Honorato havia nascido de uma família consular romana estabelecida na Gália e era muito versado nas artes liberais. Ainda jovem, havia renunciado à adoração dos ídolos e conquistado para Cristo seu irmão Venâncio, a quem inspirou igualmente o desprezo do mundo. Ambos desejavam afastar-se dele, mas seu pai lhes opunha constantes obstáculos. Finalmente, embarcaram em Marselha, levando consigo como pai espiritual o ermitão São Caprásio, com destino à Grécia, onde queriam viver ignorados em algum deserto. Venâncio morreu pouco depois, em Modon. Honorato, que também adoecera, viu-se obrigado a voltar à Gália com seu mestre. Primeiro viveu como ermitão nas montanhas próximas a Fréjus. Perto da costa há duas ilhotas: a de Santa Margarida, que então se chamava Lero, e outra menor e mais distante, que fica a duas léguas de Antibes, chamada então Lérins e atualmente São Honorato, em honra de nosso santo que ali se estabeleceu. Quando outros companheiros se uniram a ele, por volta do ano 400, fundou o famoso mosteiro de Lérins. Alguns de seus companheiros viviam em comunidade e outros como anacoretas em celas isoladas. São Honorato baseou a maior parte de suas regras nas de São Pacômio. Nada mais atraente que a descrição feita por São Hilário de Arles das virtudes dessa comunidade de homens de Deus, especialmente da caridade e da devoção que reinavam entre eles.
Uma encantadora lenda, infelizmente muito posterior, conta como Margarida, irmã de Honorato, finalmente convertida do paganismo, foi estabelecer-se na ilha de Lero para estar perto de seu irmão. Honorato prometeu, não sem certa dificuldade, visitá-la uma vez por ano, na época das mimosas.

Em certa ocasião, Margarida, afligida por uma cruel desolação espiritual, desejava ardentemente receber os conselhos de seu irmão. Ainda faltavam dois meses para que florescessem as mimosas, mas Margarida ajoelhou-se em oração. Subitamente, o ar encheu-se de um perfume conhecido; Margarida levantou os olhos e viu que junto a ela havia florescido uma árvore de mimosas. Margarida colheu algumas flores e as enviou a seu irmão, que compreendeu imediatamente e acorreu fraternalmente para socorrê-la. Foi a última vez que se viram, pois Margarida morreu pouco depois. Honorato, obrigado a aceitar a sé episcopal de Arles em 426, morreu ali em 429, esgotado pelas austeridades e pelo trabalho apostólico. Segundo assegura seu sucessor, Santo Hilário, o estilo de suas cartas era claro e unctuoso, delicado, elegante e cheio de suavidade. É lamentável que seus escritos tenham se perdido. O corpo do santo foi trasladado para Lérins em 1931, de modo que o túmulo do altar-mor da igreja que leva seu nome em Arles está vazio.
Cf. Gallia Christiana novissima, vol. 1 (1901), p. 26; Revue Bénédictine, vol. IV, pp. 180-184; Duchesne, Fastes Episcopaux, vol. 1, p. 256. Ver também o panegírico escrito pelo discípulo, parente e sucessor de São Honorato, São Hilário de Arles, e sobretudo A. C. Cooper-Marsden, The History of the Islands of the Lerins (1913), ilustrado com excelentes fotografias. B. Munke e outros editaram uma biografia medieval latina de São Honorato (1911), que carece de valor histórico, assim como a Vida de Sant Honorat em provençal. F. R. Hoare, The Western Fathers (1954), traduz o panegírico de Santo Hilário.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, p. 108.
2. Ibid. pp. 109-110.






















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