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Vida do Papa São Sisto I e São Ricardo de Wyche (3 de abril)

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Papa São Sisto I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.
Papa São Sisto I. Cromolitografia em L. Tripepi, Retratos e biografias dos papas romanos. de São Pedro a Leão XIII, Roma, Vaglimigli Davide, 1879.

São Sisto I sucedeu a São Alexandre I por volta do fim do reinado de Trajano e governou a Igreja durante dez anos, numa época em que a dignidade pontifícia era um prelúdio do martírio. Todos os martirológios antigos o veneram como mártir, mas carecemos de detalhes sobre sua vida e sua morte. Era romano de nascimento. Supõe-se que a casa de seu pai se encontrava na antiga Via Lata, no local onde atualmente se ergue a igreja de Santa Maria de Calle Ancha. Segundo o Liber Pontificalis, São Sisto ordenou que somente os membros do clero tocassem os vasos sagrados e que o povo se unisse ao sacerdote no canto do “Sanctus”. Provavelmente o Sisto de que se faz menção no cânon da missa é São Sisto II, cujo martírio foi muito mais famoso.


Ver Liber Pontificalis, ed. Duchesne, vol. 1, pp. 56 e 128; e Acta Sanctorum, nov., vol. II, parte posterior, pp. 137 e 177.1




São Ricardo de Chichester vitral da Igreja de São Salvador e São Pedro, Eastbourne
São Ricardo de Chichester vitral da Igreja de São Salvador e São Pedro, Eastbourne

Ricardo de Wyche, ou Ricardo de Burford, como às vezes é chamado, nasceu por volta de 1197, em Wyche (atualmente Droitwich), cidade então famosa por suas fontes de água salgada. Seu pai era um modesto cavaleiro que possuía algumas terras; mas tanto o pai quanto a mãe de São Ricardo morreram quando seus filhos ainda eram pequenos, e as posses perderam todo o seu valor por descuido do homem a quem foram confiadas. Ricardo era o mais novo dos filhos. Embora fosse muito dedicado aos estudos desde criança, tinha um temperamento mais vivo que o de seu irmão; quando percebeu o estado em que se encontravam suas terras, tomou o arado e pôs-se a trabalhar como simples camponês até que, com sua dedicação e boa administração, conseguiu restaurar a fortuna da família. Num gesto de gratidão, seu irmão Roberto lhe cedeu os títulos das propriedades; mas quando Ricardo descobriu que ele queria casá-lo com uma rica herdeira, devolveu-lhe os títulos, cedeu-lhe a jovem e partiu, quase sem dinheiro, para a Universidade de Oxford. A pobreza não era uma vergonha nem um obstáculo nas universidades medievais; mais tarde, Ricardo considerava seus anos em Oxford como os mais felizes de sua vida. Pouco lhe importava ter passado fome e ter sido tão pobre que não podia permitir-se o luxo de comprar lenha e precisava correr durante o inverno para se aquecer. E não se envergonhava do fato de que ele e os companheiros que dividiam seu quarto tivessem apenas uma túnica, que vestiam por turno para assistir às aulas. O importante era aprender, e naquela época a Universidade de Oxford tinha mestres muito famosos; Grossatesta era professor na casa de estudos dos franciscanos. Por outro lado, os dominicanos chegaram a Oxford em 1221 e imediatamente atraíram os mais brilhantes talentos. Não sabemos como Ricardo, que era um simples estudante, conseguiu entrar em contato com o grande chanceler da Universidade, Edmundo Rich; mas não há razões para duvidar de que ali começou a amizade que os uniria por toda a vida.


Ícone de São Ricardo, por Sergei Fyodorov. Na Catedral de Chichester
Ícone de São Ricardo, por Sergei Fyodorov. Na Catedral de Chichester

Ricardo passou de Oxford a Paris, mas voltou à sua “alma mater” para receber o título de Mestre. Alguns anos mais tarde, foi a Bolonha estudar direito canônico na que então era considerada a principal escola de direito da Europa. Ali permaneceu sete anos, obteve o grau de doutor e conquistou a estima de todos; mas quando um de seus professores tentou fazê-lo seu herdeiro, casando-o com sua filha, Ricardo, que se sentia chamado ao celibato, recusou cortesmente e voltou a Oxford. A Universidade havia acompanhado sua carreira com interesse. Quase imediatamente foi nomeado chanceler da Universidade e, pouco depois, São Edmundo Rich, já arcebispo de Canterbury, juntamente com Grossatesta, que era bispo de Lincoln, convidaram-no a trabalhar com eles. Ricardo aceitou o convite de São Edmundo e tornou-se seu confidente e braço direito, ajudando-o quanto podia em seu difícil cargo. O dominicano Ralph Bocking, mais tarde confessor e biógrafo de São Ricardo, escreve: “Um descansava no outro: o santo no santo, o mestre no discípulo e o discípulo no mestre, o pai no filho e o filho no pai.”


São Edmundo necessitava muito da ajuda e do afeto de seu chanceler para enfrentar as dificuldades. A principal delas era o repreensível e arraigado costume de Henrique III de manter vagos os benefícios eclesiásticos para usufruir de suas rendas, ou nomear para eles seus favoritos. O arcebispo fez tudo o que pôde para corrigir essa situação, sem conseguir nada; por fim retirou-se, já velho e doente, para o mosteiro cisterciense de Pontigny, para onde Ricardo o acompanhou e assistiu até sua morte. Depois, não se sentindo chamado a permanecer no mosteiro, passou para a casa de estudos dos dominicanos em Orléans, onde exerceu o cargo de mestre durante dois anos e recebeu a ordenação sacerdotal, em 1243. Embora tivesse intenção de entrar na Ordem de São Domingos, voltou à Inglaterra, não sabemos por quê, para trabalhar numa paróquia de Deal. Muito provavelmente, São Edmundo, sendo arcebispo, havia-lhe concedido as rendas desse benefício. Mas um homem com os méritos e qualidades de São Ricardo não podia passar despercebido por muito tempo, e o novo arcebispo de Canterbury chamou-o a exercer novamente seu antigo cargo de chanceler da arquidiocese.


São Ricardo de Wyche, vitral da Catedral de Chichester
São Ricardo de Wyche, vitral da Catedral de Chichester

Em 1244, morreu o bispo de Chichester, Ralph Neville. Fazendo pressão sobre os cônegos, Henrique III conseguiu que elegessem Roberto Passelewe, homem sem qualidades, que, segundo Mateus Paris, “havia obtido o favor régio mediante uma transação injusta que acrescentou alguns milhares de marcos ao tesouro real.” O arcebispo de Canterbury, Bonifácio de Saboia, recusou confirmar a eleição e reuniu seus sufragâneos em capítulo, o qual declarou inválida a eleição e escolheu Ricardo, que era o candidato do primaz, para ocupar a sede. O rei enfureceu-se ao ouvir a notícia; reteve todos os benefícios da diocese e proibiu que se admitisse São Ricardo em qualquer baronato ou posse secular de sua diocese. Em vão o bispo tentou entrevistar-se com o monarca em duas ocasiões: não conseguiu obter nem a confirmação de sua eleição, nem a devolução dos benefícios a que tinha direito. Finalmente, o bispo e o rei levaram o caso ao Papa Inocêncio IV, que então se encontrava em Lyon, presidindo o Concílio. O Papa decidiu a favor de São Ricardo e o consagrou em 5 de março de 1245. Ao chegar à Inglaterra, São Ricardo encontrou a notícia de que o rei, longe de renunciar às rendas dos benefícios, havia ordenado que ninguém lhe emprestasse dinheiro nem lhe oferecesse hospedagem. O bispo encontrou as portas do palácio de Chichester fechadas. Aqueles que poderiam ajudá-lo temiam a ira do rei. O santo teria tido de vagar por sua diocese como um mendigo, não fosse um bom sacerdote, chamado Simão de Tarring, que lhe ofereceu sua casa. São Ricardo, segundo a expressão de Bocking, “abrigou-se naquela casa hospitaleira, compartilhando a comida com um estranho e aquecendo seus pés ao calor de um lar alheio”.


São Ricardo de Chichester, vitral da igreja de Berwick
São Ricardo de Chichester, vitral da igreja de Berwick

Tendo essa modesta casa como residência, São Ricardo trabalhou durante dois anos como bispo missionário. Visitava pescadores e camponeses, viajava quase sempre a pé e, ainda assim, conseguiu reunir vários sínodos apesar das dificuldades, como consta nas “Constituições de São Ricardo”, coleção de leis eclesiásticas que o santo promulgou para acabar com os abusos da época. Finalmente, ameaçado pelo Papa com a excomunhão, Henrique III reconheceu o bispo e lhe devolveu os benefícios, embora nunca lhe tenha pago as rendas atrasadas. Com isso, mudou totalmente a posição de São Ricardo, que, uma vez entronizado, pôde oferecer a generosa hospitalidade e distribuir as esplêndidas esmolas costumeiras dos prelados medievais. Mas o que não mudou foi a austeridade pessoal do santo; enquanto seus hóspedes comiam fartamente, o bispo mantinha sua modesta dieta, da qual estavam excluídos o peixe e a carne. Quando via que seus criados levavam à cozinha frangos e cordeiros, dizia com certa tristeza, não isenta de humor: “Pobres criaturas. Se pudésseis raciocinar e falar, como nos amaldiçoaríeis por vos condenarmos à morte, sem que o mereçais!” As vestes do santo bispo eram as mais simples possíveis; em vez de peles finas, usava lã e, por baixo, vestia uma camisa de crina e uma espécie de couraça de aço.


Durante os oito anos que durou seu governo, conquistou o afeto de seu povo; mas, embora fosse muito paternal, mostrava-se muito severo com a avareza, a heresia e a imoralidade do clero. Nem mesmo a intercessão do arcebispo e do rei conseguiu fazê-lo suavizar o castigo que havia imposto a um sacerdote que cometera um pecado contra a castidade. Tinha tal horror ao nepotismo, que jamais deu preferência a seus conhecidos, alegando o exemplo do Divino Pastor, que não deu as chaves do Céu a seu primo São João, mas a São Pedro. Quando o mordomo de sua casa anunciou ao bispo que suas esmolas eram maiores que suas rendas, este lhe deu a ordem de vender as vasilhas de ouro e de prata. “Também podes vender meu cavalo, acrescentou; como é robusto, dar-te-ão um bom preço; traz-me o dinheiro para dá-lo aos pobres.” São Ricardo tinha a mais baixa opinião de si mesmo e de suas próprias forças; alguém observou que quase todos os numerosos milagres que realizou, fê-los a pedido de outros.


São Ricardo de Chichester. Pintura mural medieval anglesa
São Ricardo de Chichester. Pintura mural medieval anglesa

Às esmagadoras cargas de seu ofício, o Papa acrescentou a de pregar uma Cruzada contra os sarracenos. Precisamente quando São Ricardo voltou a Dover, depois de uma intensa campanha de pregação na costa, foi acometido por sua última doença. Morreu numa casa para sacerdotes pobres e peregrinos, chamada a “Maison Dieu”, acompanhado por Ralph Bocking, Simão de Tarring e outros fiéis amigos. Tinha então cinquenta e cinco anos de idade. Foi canonizado nove anos depois. Não se conserva em Chichester nenhum vestígio de suas relíquias nem de seu túmulo. As dioceses de Westminster, Birmingham e Southwark celebram a festa de São Ricardo.


Em Acta Sanctorum encontram-se duas vidas de São Ricardo: a de Ralph Bocking e outra, tomada da Nova Legenda Angliae de Capgrave. Ao que parece, esta última é cópia de uma biografia escrita antes da canonização. Há um excelente artigo sobre São Ricardo em Lives of the English Saints, de J. H. Newman; alguns atribuem esse artigo ao Pe. Dalgairns e outros a R. Ornsby. A mais completa das biografias modernas é a de M. R. Capes, Richard of Wyche (1913). Outras referências bibliográficas podem ser encontradas no DNB e no Dictionary of English Church History.2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 18-19.

2. Ibid. pp. 22-24.



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