Vida do Papa São Marcos e Santo Artaldo de Belley (7 de outubro)

São Marcos era romano de origem e serviu a Deus no clero dessa Igreja. Foi o primeiro Papa eleito depois que Constantino concedeu liberdade e reconhecimento legal à Igreja. O santo não se deixou levar pela prosperidade das novas circunstâncias, mas redobrou seu zelo nessa era de paz, ciente de que o demônio jamais concede trégua aos cristãos. São Marcos, que havia trabalhado arduamente pela Igreja durante o pontificado de São Silvestre, foi elevado à Sé Apostólica em 18 de janeiro de 336. Usou a tiara pontifícia apenas por oito meses e vinte dias, pois faleceu em 7 de outubro do mesmo ano. Provavelmente foi ele quem fundou a igreja que leva seu nome, mas também construiu outra no cemitério de Balbina. Não é impossível que o costume de o bispo de Óstia consagrar o bispo de Roma date de sua época. Alguns autores atribuem a São Dâmaso um poema sobre São Marcos; o fragmento que se conserva louva o desapego e o espírito de oração de nosso santo.
O pouco que sabemos sobre São Marcos encontra-se resumido em Acta Sanctorum, outubro, vol. III. Veja-se também Liber Pontificalis (ed. Duchesne), vol. I, pp. 202–204.1

Artaldo nasceu no castelo de Sothonod, na Saboia. Aos dezoito anos, transferiu-se para a corte do duque Amadeu III. Um ou dois anos mais tarde, ingressou na Cartuxa de Portes. Depois de muitos anos, já sacerdote e muito avançado em experiência e santidade, foi enviado pelo prior da Grande Cartuxa para fundar um mosteiro de sua ordem em Valromey, na Saboia. O lugar tinha o significativo nome de “o Cemitério”. Ali se estabeleceu Artaldo com seis monges originários de Portes. Pouco depois da fundação, um incêndio consumiu o mosteiro, de modo que Santo Artaldo teve de recomeçar a obra. Para isso, escolheu outro local, às margens do rio Arvières, onde logo construiu um novo mosteiro. Mas a cela de um cartuxo era estreita demais para a imensa fama de que o santo já gozava naquela época: o Papa costumava consultá-lo, assim como fazia com seu mestre, São Bruno, e a diocese de Belley o elegeu bispo aos oitenta anos de idade, apesar de seus veementes protestos.
Dois anos depois, conseguiu que o povo aceitasse sua renúncia e voltou alegremente para Arvières, onde passou o restante de sua vida. Próximo da morte, foi visitado por São Hugo de Lincoln, que, quando era prior da Cartuxa de Witham, havia levado Henrique II da Inglaterra a favorecer a Cartuxa de Arvières. A Magna Vita de São Hugo recorda que este repreendeu bondosamente Santo Artaldo quando o fundador de Arvières lhe perguntou as últimas notícias políticas na presença de seus monges. O culto de Santo Artaldo, a quem os cartuxos veneram simplesmente como beato, foi confirmado em 1834 para a diocese de Belley. O santo morreu aos 105 anos de idade.
Na Acta Sanctorum, outubro, vol. III, encontra-se uma breve biografia medieval; pode-se consultar um relato mais completo em Dom Le Couteulx, Annales Ordinis Cartusiensis, vols. I e III.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, p. 55.
2. Ibid. pp. 21-22.






















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