Vida de Santa Martina, Mártir e Santa Jacinta Mariscotti (30 de janeiro)
- 29 de jan.
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SANTA MARTINA, VIRGEM E MÁRTIR (Data desconhecida)

Martina foi martirizada em 226 de acordo com alguns relatos ou, mais provavelmente, em 228, já durante o pontificado do Papa Urbano I, segundo outros. Filha de um ex-cônsul e órfã desde muito jovem, Martina testemunhou tão abertamente sua fé cristã que não conseguiu escapar das perseguições da época de Alexandre (Severo 222-235). Presa, recebeu ordens de prestar homenagens aos deuses romanos, o que ela se recusou a fazer.
Segundo uma legenda de Santa Martina, após inúmeras torturas, como ela se recusava a prestar culto aos deuses pagãos, Alexandre ordenou que ela fosse levada ao anfiteatro a fim de ser exposta às feras, mas um leão, que lá foi deixado para devorá-la, veio deitar-se aos seus pés e começou a lamber suas feridas. Mas enquanto o levavam de volta à sua cova, o grande leão lançou-se sobre um conselheiro de Alexandre, devorando-o. Reconduzida à prisão, Martina foi ainda uma segunda vez levada ao templo de Diana e, como se recusasse a sacrificar aos ídolos, novamente foi o seu pobre corpo dilacerado.
— “Martina, disse-lhe um dos carrascos, reconheça Diana como deusa e você será libertada”.
— “Eu sou cristã e eu confesso Jesus Cristo".
Martina permaneceu todo esse tempo sem nada comer ou beber, cantando continuamente os louvores de Deus. Sem saber mais o que fazer, Alexandre ordenou que lhe cortassem a cabeça. O corpo de Martina permaneceu vários dias exposto em praça pública, protegido por duas águias que ficaram ao seu lado até o momento em que um certo Ritorius pôde lhe dar uma sepultura digna.
Segundo alguns, no século VII existia em Roma uma capela consagrada a Santa Martina, à qual os peregrinos visitavam com grande devoção. As relíquias de Martina foram descobertas em 25 de outubro de 1634, em uma abóbada em ruínas, pelo pintor e arquiteto Pietro de Cortona durante a reforma da antiga igreja de Santi Luca e Martina, situada perto da Prisão Mamertina e dedicada a ela. O Papa Urbano VIII então ordenou que a igreja fosse reformada e foram compostos hinos de Santa Martina para o breviário, os quais deveriam, a partir daí, serem cantados nos cultos em homenagem à santa. A cidade de Roma a considera uma de suas padroeiras particulares. Sua festa é comemorada em 30 de janeiro.1

O calendário geral da Igreja do Ocidente comemora hoje Santa Martina, e seu nome encabeça o dia 30 de janeiro, no Martirológio Romano. Na referência mais longa de 1º de janeiro, o Martirológio Romano nos diz que a santa foi submetida a muitos tormentos e finalmente decapitada em Roma, sob o imperador Alexandre (Severo, 222-235). Alban Butler afirma com razão que existia em Roma uma capela consagrada a Santa Martina, à qual os peregrinos acorriam com grande devoção, no século VII. Afirma também que as relíquias da santa foram descobertas numa abóbada em ruínas de sua antiga igreja e que, em 1634, foram trasladadas para a nova igreja que o Papa Urbano VIII havia construído em sua honra. Segundo esse autor, o próprio Papa compôs os hinos de Santa Martina para o breviário, e afirma que a cidade de Roma a considera como uma de suas patronas particulares.
Os documentos mais antigos dizem que ela foi martirizada em Roma, mas não há nenhuma tradição primitiva que mencione esse fato. As atas estão cheias de milagres extremamente extravagantes, como, por exemplo, que ao golpe do verdugo brotou do corpo da santa leite em vez de sangue. A única coisa segura é que, como se tem observado desde antigo, esses milagres se assemelham extraordinariamente aos que foram atribuídos a Santa Tatiana e a Santa Prisca. Pio Franchi de Cavalieri demonstrou, com grande probabilidade de estar correto, que esses milagres são apócrifos, que foram primeiramente atribuídos a Santa Tatiana e que os autores das atas de Santa Prisca e de Santa Martina não fizeram mais do que copiá-los.
Ver Pio Franchi de Cavalieri, em Römische Quartalschrift, vol. xvi (1903), pp. 222-236; e Analecta Bollandiana, vol. xx11 (1904), pp. 344-345. As “atas” de Santa Martina foram publicadas pelos bolandistas, em 1º de janeiro. Cf. também Marucchi, Le Forum Romain et le Palatin (1925), pp. 246-248.2

A vida de Santa Jacinta é, em certo sentido, única nos anais dos santos. Quase todos eles experimentaram, em determinado momento, uma espécie de mudança que qualificam de “conversão”. Em alguns casos, como no de Santo Agostinho, a conversão consiste no retorno a Deus depois de uma vida de pecado no mundo. Em outros casos, como no de Santa Teresa, a vida anterior parece imperfeita pelo contraste que oferece com a vida posterior à conversão. Mas é muito raro o caso de um santo que, depois de ter levado uma vida de escandalosa infidelidade às regras do convento, se converta, volte atrás e, finalmente, se entregue definitivamente, movido por uma nova graça, até alcançar os cumes da perfeição.
Clara Mariscotti, que provinha de uma nobre família de Vignarello, foi educada no convento das franciscanas de Viterbo, onde uma de suas irmãs era religiosa. Parece que, em seus primeiros anos, mostrou pouca inclinação à piedade. Quando seus pais casaram sua irmã mais nova com o marquês Cassizucchi, Clara caiu em um estado de prostração e mau humor, insuportáveis para sua família. Diante disso, seus pais, seguindo o odioso costume da época, decidiram forçá-la a entrar na vida religiosa. Clara ingressou no mesmo convento de Viterbo onde havia sido educada, que era uma comunidade da Terceira Ordem Regular Franciscana. Embora tenha feito a profissão, a jovem declarou francamente que o fato de vestir o hábito religioso não a impediria de exigir todas as isenções às quais sua posição e a riqueza de sua família lhe davam direito. Durante dez anos, foi o escândalo da comunidade por seu olímpico desprezo pelas regras, embora ainda conservasse um mínimo de aparências. Em certa ocasião, estando ligeiramente indisposta, um santo sacerdote franciscano foi confessá-la em sua cela e, ao ver quão confortável ela era, repreendeu severamente a Irmã Jacinta (este era o nome que havia tomado ao entrar no convento) por sua tibieza e pelos graves perigos a que se expunha. A repreensão impressionou profundamente a religiosa, que temporariamente reformou sua vida com um fervor quase exagerado. Mas essa súbita transformação não durou muito; o fervor da Irmã Jacinta já começava a decair quando Deus lhe enviou uma enfermidade muito mais séria que a anterior. Desta vez, a graça foi plenamente eficaz e, a partir desse momento, a santa levou uma vida de duras disciplinas, jejuns constantes e vigílias, e longas horas de oração.

O mais extraordinário, tratando-se de um temperamento como o de Jacinta, é que, sendo mestra de noviças, deu provas de grande bom senso na direção espiritual, pois refreava os exageros de fervor e penitência em suas noviças e escrevia conselhos moderados às numerosas pessoas que a consultavam por carta. Por exemplo, a uma pessoa que lhe perguntava sua opinião sobre uma religiosa muito reputada por sua união com Deus e seu dom de lágrimas, Jacinta respondeu:
“Antes de tudo, eu gostaria de saber se essa religiosa está desapegada das criaturas, se é humilde, se renunciou à própria vontade, mesmo nas coisas boas e santas; só assim é possível determinar se os deleites de sua devoção vêm realmente de Deus. Eu admiro sobretudo os que são pouco admirados, os esquecidos de si mesmos, ainda que tenham poucas consolações sensíveis. O verdadeiro sinal do espírito de Deus é a cruz, o sofrimento, a perseverança generosa, apesar da falta de consolo, na oração”.
A caridade de Jacinta era notável e não se limitava à sua comunidade. Com sua ajuda, formaram-se em Viterbo duas confrarias encarregadas dos doentes, dos idosos, dos nobres empobrecidos e dos pobres. Pedindo esmolas de porta em porta, Jacinta reunia os fundos necessários para o trabalho das confrarias. A santa morreu aos cinquenta e cinco anos de idade, em 30 de janeiro de 1640, e foi canonizada em 1807. A bula de canonização afirma que “sua mortificação era tão grande, que a conservação de sua vida era um milagre constante” e que, “com sua caridade apostólica, ganhou para Deus mais almas do que muitos pregadores de seu tempo”.
Ver Flaminio de Latera, Vita della V. S. Giacinta Mariscotti (1805); Léon, L'Auréole séraphique, vol. I, pp. 117-126; Kirchenlexikon, vol. VI, pp. 514-516.3
Referências:
1. Pe. Giry, Vida dos Santos, pp. 62-64. Tirado de “Santa Martina (ou Martinha), Virgem e Mártir”.
2. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 205-206.
3. Ibid. pp. 207-208.






















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