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Vida de São Félix de Valois e São Edmundo, Mártir (20 de novembro)

  • 21 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura




A corsa do bosque e São Félix
A corsa do bosque e São Félix

Alguns escritores da Ordem da Santíssima Trindade afirmam que São Félix levava o sobrenome de Valois porque pertencia à família real da França, mas, na realidade, o nome provém da província de Valois, onde residiu originalmente.


Segundo se diz, vivia como eremita na floresta de Gandelu, na diocese de Soissons, em um lugar chamado Cerfroid. Tinha o propósito de passar sua vida na obscuridade; mas Deus dispôs de outra maneira. Com efeito, São João de Mata, discípulo de São Félix, propôs-lhe que fundasse uma ordem para o resgate dos cativos. Embora Félix já tivesse setenta anos, ofereceu-se para fazer e sofrer tudo o que Deus quisesse por um fim tão nobre. Assim, os dois santos partiram juntos para Roma no inverno de 1197, para solicitar a aprovação da Santa Sé.


A vida de São Félix de Valois está tão obscurecida pela lenda quanto a de São João de Mata e a história primitiva da Ordem da Santíssima Trindade. Em nosso artigo sobre São João de Mata (8 de fevereiro) já tratamos disso. Segundo a tradição, enquanto São João trabalhava em favor dos escravos cristãos na Espanha e no norte da África, São Félix propagava a nova ordem na Itália e na França.


Encontro de São João de Mata e São Félix de Valois, por Vicente Carducho (Museu do Prado).
Encontro de São João de Mata e São Félix de Valois, por Vicente Carducho (Museu do Prado).

Em Paris fundou o convento de São Maturino. Quando São João voltou a Roma, São Félix, apesar de sua avançada idade, administrou a província francesa e a casa-mãe da ordem em Cerfroid. Ali morreu, aos oitenta e seis anos de idade, em 4 de novembro de 1212. Alban Butler observa que, segundo a tradição dos trinitários, os dois santos foram canonizados por Urbano IV em 1262, mas “não se conseguiu encontrar a bula”. Alexandre VII confirmou o culto dos dois fundadores em 1666. Vinte e oito anos mais tarde, a festa de São Félix de Valois foi estendida a toda a Igreja do Ocidente.


Praticamente não há documentos sobre a vida de São Félix. Apesar disso, o Pe. Calixte-de-la-Providence escreveu uma Vie de St Félix de Valois, cuja terceira edição data de 1878. Veja-se o nosso artigo sobre São João de Mata (8 de fevereiro); Mann, History of the Popes, vol. XI, pp. 84 e 272; e cf. Baudot e Chaussin, Vies des saints, vol. XI (1954), pp. 669-670.1




Santo Edmundo, o Mártir, coroado por anjos, a partir de “Miracula Sancti Edmundi regis et martiris” no Miscellany on the life of St. Edmund (MS M.736), um manuscrito produzido no início do século XII.
Santo Edmundo, o Mártir, coroado por anjos, a partir de “Miracula Sancti Edmundi regis et martiris” no Miscellany on the life of St. Edmund (MS M.736), um manuscrito produzido no início do século XII.

No século IX, os dinamarqueses começaram a fazer incursões cada vez mais frequentes nas costas da Inglaterra. No meio do século, “os pagãos passaram o primeiro inverno em nossa terra.” No dia de Natal do ano 855, os nobres e o clero de Norfolk, reunidos em Attleborough, coroaram rei Edmundo, que tinha então catorze anos. No ano seguinte, o povo de Suffolk reconheceu também sua soberania. Diz-se que foi um governante tão talentoso e hábil quanto virtuoso. Para imitar o rei Davi e poder participar dos ofícios divinos, aprendeu todo o saltério de memória. O beneditino Lidgate escreveu no século XV: “Era piedoso e bom, celestialmente alegre, prudente em seus atos, e a graça manifestava-se poderosamente nele...” Por então, ocorreu a mais numerosa das invasões que os dinamarqueses haviam realizado até então. A “Crônica Anglo-Saxã” diz: “Um poderoso exército de dinamarqueses desembarcou no país dos anglos. Ali passaram o inverno e receberam cavalos. Os anglos fizeram paz com eles.” Os invasores cruzaram o Humber e tomaram York. Em seguida avançaram em direção à Mércia, até Nottingham, saqueando, queimando e escravizando. No ano 870, cruzaram Mércia de volta à Ânglia Oriental e estabeleceram seus quartéis de inverno em Thetford. “Naquele inverno, Edmundo apresentou-lhes batalha; os dinamarqueses triunfaram, mataram o rei, submeteram toda a terra e destruíram todos os mosteiros que encontraram.”


Este resumo curto e seco nos diz tudo o que sabemos com certeza sobre a morte de São Edmundo. Alban Butler resume da seguinte maneira as tradições que se encontram em Abbo de Fleury e outros cronistas:


Ricardo II da Inglaterra com seus santos padroeiros, da esquerda para a direita Rei São Edmundo, o Mártir, Rei São Eduardo, o Confessor e São João Batista.
Ricardo II da Inglaterra com seus santos padroeiros, da esquerda para a direita Rei São Edmundo, o Mártir, Rei São Eduardo, o Confessor e São João Batista.

Os bárbaros invadiram os domínios de São Edmundo, incendiaram a cidade de Thetford (que haviam tomado de surpresa) e semearam a desolação por onde passaram. O rei reuniu às pressas um exército. Nas proximidades de Thetford enfrentou um destacamento de dinamarqueses e esteve prestes a ganhar a batalha. Mas, pouco depois, chegaram reforços ao inimigo. Vendo que não podia apresentar batalha com um exército tão reduzido como o seu, São Edmundo retirou-se ao seu castelo de Framlingham, em Suffolk. O chefe dos bárbaros, Ingvar, propôs-lhe a paz sob condições que o monarca não podia aceitar, tanto por motivos religiosos quanto pela lealdade que devia aos seus súditos. Não lhe restou, pois, outro remédio senão fugir, mas foi cercado pelo inimigo em Hoxne, às margens do Waveney. Segundo outros autores, permitiu voluntariamente que o prendessem na igreja. Novamente lhe fizeram propostas inadmissíveis, que o santo rejeitou, declarando que amava mais sua religião do que sua própria vida e que jamais salvaria esta ao preço daquela. Então Ingvar mandou que o amarassem a uma árvore e o açoitaram. São Edmundo suportou o tormento com mansidão, invocando o nome de Jesus. Em seguida, cravaram-no de flechas, mas sem lhe dar morte, de modo que seu corpo “parecia um ouriço, cuja pele está coberta de espinhos, ou um porco-espinho.” Finalmente, Ingvar desatou o santo, arrancou-o da árvore em que o haviam cravado com flechas e mandou decapitá-lo.


O martírio de Edmundo. fólios 14r e 14v da Passio Sancto Eadmundi do século XII. Pintura I.
O martírio de Edmundo. fólios 14r e 14v da Passio Sancto Eadmundi do século XII. Pintura I.

O corpo de São Edmundo foi sepultado em Hoxne. Por volta do ano 903, suas relíquias foram trasladadas a Beodricsworth, que atualmente se chama Bury St Edmund’s. No ano de 1010, durante as invasões dos dinamarqueses, as relíquias foram depositadas na igreja de São Gregório de Londres, perto da catedral de São Paulo, e três anos mais tarde voltaram novamente a Bury. Durante o reinado de Canuto, fundou-se a grande abadia beneditina de St Edmundsbury, que teve como relíquia principal os restos de São Edmundo. Os comentários de Thomas Carlyle (em “Past and Present”) sobre a crônica de Joscelino de Brakelond, na qual se descreve como o abade Sansão trasladou as relíquias de São Edmundo para uma nova igreja, em 1198, contribuíram muito para popularizar os nomes de São Edmundo e de sua abadia. Antigamente, professava-se grande devoção ao mártir na Inglaterra, onde se construíram numerosas igrejas em sua honra. No século XIII e nos seguintes, a Festa de São Edmundo era de preceito. Sua Festa celebra-se ainda nas dioceses de Westminster e Northampton, bem como nas abadias beneditinas da Inglaterra.


O martírio de Edmundo. fólios 14r e 14v da Passio Sancto Eadmundi do século XII. Pintura II.
O martírio de Edmundo. fólios 14r e 14v da Passio Sancto Eadmundi do século XII. Pintura II.

Thomas Arnold editou em Memorials of St Edmund’s Abbey (Rolls Series, vol. I) uma paixão escrita por Abbo de Fleury, outra devida à pena de Gaufredo de Fontibus, uma coleção de milagres composta pelo arcediago Herman e outra composta pelo abade Sansão. Arnold observa, na introdução, que Guilherme de Malmesbury e outros cronistas pretendem acrescentar alguns dados, mas que são de pouco valor. O mesmo se deve dizer de La vie de Saint Edmund le Roy (poema francês do século XIII, publicado por Arnold no vol. II) e do poema inglês composto pelo monge de Bury, Dan Lydgate. A biografia moderna de J. B. Mackinlay (1893) carece, infelizmente, de senso crítico (veja-se The Month, out. 1893, pp. 275-280). Em contrapartida, Lord Francis Hervey, em Corolla Sti. Eadmundi (1907) e History of King Edmund (1929), estudou muito cuidadosamente o tema. Tem-se discutido muito acerca da suposta trasladação das relíquias de São Edmundo para a igreja de Saint Sernin, em Toulouse, bem como do retorno de parte delas à Inglaterra em 1901. Veja-se Stanton, Menology, pp. 559-561. H. Kjellman publicou novamente em Göteborg, em 1935, La Vie de Saint Edmund; e E. Butler republicou a crônica de Joscelino em 1949. Cf. R. M. Wilson, The Lost Literature of Medieval England (1952).2



Referências:


1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 4, p. 388.

2. Ibid. pp. 390-392.



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