Vida de São Canuto da Dinamarca e Santos Mário, Marta, Audifaz e Abaco (19 de janeiro)
- 18 de jan.
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O nobre persa Mário, sua esposa Marta e seus dois filhos, Audifaz e Abaco, que se haviam convertido ao cristianismo, distribuíram sua fortuna entre os pobres, como o faziam os primeiros cristãos de Jerusalém. Em certa ocasião foram a Roma para visitar o túmulo dos Apóstolos, justamente quando o imperador Cláudio perseguia a Igreja, e muitos cristãos já haviam sido levados ao anfiteatro por ordem sua, para serem mortos a flechadas e terem seus corpos queimados. Nossos santos dedicaram-se a recolher e sepultar, respeitosamente, as cinzas dos mártires e, ao serem descobertos, foram presos. Depois de sofrerem numerosos tormentos sob o governador Marciano, Mário e seus dois filhos foram decapitados, enquanto Marta morreu afogada num lugar chamado atualmente Santa Ninfa, a cerca de vinte quilômetros de Roma. Os quatro foram sepultados na Via Cornélia. Todos os martirológios ocidentais os mencionam no dia 20 de janeiro, mas sua festa celebra-se no dia de hoje.
As “atas” desses mártires não são totalmente fidedignas, mas constituem um documento não desprezível; foram publicadas em Acta Sanctorum, 19 de janeiro. Ver também Allard, Histoire des Persécutions, vol. III, pp. 214 ss.; e BHL., n. 5543.1

Canuto da Dinamarca era filho natural de Swein Estrithson, cujo tio, também chamado Canuto, havia sido rei da Inglaterra. São Canuto tentou fazer valer seus direitos à coroa inglesa, mas fracassou completamente na Nortúmbria, em 1075. Seis anos depois, sucedeu a seu irmão Haroldo no trono da Dinamarca. Os dinamarqueses haviam se convertido ao cristianismo pouco tempo antes, mas, como se disse de Canuto da Inglaterra, “seu entusiasmo religioso tinha algo da ingenuidade de um bárbaro”. Isto é o mínimo que se pode dizer.
Canuto II casou-se com Adela, irmã de Roberto, conde de Flandres, e desse matrimônio nasceu o beato Carlos, o Bom. Canuto favoreceu, com suas leis, a administração da justiça e a paz do reino, concedeu privilégios e imunidades ao clero e impôs tributos para o sustento deste. Infelizmente, isso fez com que alguns clérigos se tornassem senhores feudais, ocupando-se mais de seus bens temporais do que de seus deveres espirituais. Canuto mostrou uma munificência régia na construção e dotação de igrejas e ofereceu sua própria coroa à igreja de Roskilde, que se tornou cemitério dos reis dinamarqueses.

Em 1085, Canuto voltou a reivindicar o trono da Inglaterra e fez extensos preparativos para a invasão, de acordo com Roberto de Flandres e Olaf da Noruega; mas a oposição que encontrou entre os nobres e o povo obrigou-o a desistir da empresa. Seus súditos sentiam-se cada vez mais descontentes por causa dos impostos e tributos e do novo ordenamento social, até que a rebelião estourou entre os subordinados de Olaf, irmão de Canuto. Este fugiu para a ilha de Fiinen e refugiou-se na igreja de São Albano, em Odense, a qual devia seu nome a uma relíquia que Canuto havia trazido da Inglaterra. Mas os rebeldes perseguiram-no e cercaram o templo. Julgando-se perdido, Canuto confessou-se e recebeu a comunhão, enquanto os rebeldes atacavam, destruindo a pedradas os vitrais emplombados. Ao penetrar no edifício, assassinaram o rei, que se encontrava ajoelhado junto ao altar. Canuto morreu com seu irmão Bento e outros dezessete companheiros, no dia 10 de julho de 1086.
Aelnoth, o biógrafo de Canuto, monge de Canterbury que havia vivido vinte e quatro anos na Dinamarca, afirma que Deus deu testemunho da santidade do monarca, operando numerosas curas milagrosas junto ao seu túmulo. Isso levou o povo a venerar suas relíquias. Um dos sucessores de Canuto, Érico III, enviou a Roma as provas dos milagres operados pelo santo monarca, e o Papa Pascoal II autorizou o culto a São Canuto, embora seja difícil compreender por que é venerado como mártir. Aelnoth acrescenta que os primeiros evangelizadores da Dinamarca e do restante da Escandinávia eram ingleses, e que os suecos foram os que opuseram maior resistência ao cristianismo.
![A morte de [São] Canuto IV da Dinamarca na Igreja de São Albano (1086)](https://static.wixstatic.com/media/a41ba1_80b4358942764e10a1e68022d3bdde70~mv2.jpg/v1/fill/w_980,h_825,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/a41ba1_80b4358942764e10a1e68022d3bdde70~mv2.jpg)
Ver Acta Sanctorum, julho, vol. II; C. Gertz, Vitae Sanctorum Danorum, pp. 27-168, 531-558; e B. Schmeidler, em Neues Archiv, 1912, pp. 67-69. Cf. também A. J. Freeman, Norman Conquest, vol. IV, pp. 249, 586, 689; e F. M. Stenton, Anglo-Saxon England (1943), pp. 603, 608-609.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, p. 125..
2. Ibid. pp. 128-129.






















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