Vida de São Alexandre de Alexandria e São Nestor de Magido (26 de fevereiro)
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Pólio, governador da Panfília e Frígia durante o reinado de Décio, procurou ganhar o favor do imperador aplicando cruelmente seu édito de perseguição contra os cristãos. Nestor, bispo de Magido, gozava de grande estima entre cristãos e pagãos. Embora compreendesse que o martírio não tardaria, não pensou em si mesmo, mas em seu rebanho, dedicando-se a buscar refúgios para os fiéis; ele próprio, porém, não se ocultou, aguardando tranquilamente sua hora. Enquanto orava, avisaram-no de que os oficiais da justiça o procuravam. Após receber seus respeitosos cumprimentos, o bispo disse: “Que vos traz aqui, meus filhos?” Eles responderam: “O irenarca e os magistrados da cúria desejam ver-vos”. São Nestor fez o sinal da cruz, cobriu a cabeça e seguiu-os até o foro. Quando entrou, toda a corte se levantou em sinal de respeito. Fizeram-no sentar-se diante dos magistrados. O irenarca perguntou: “Senhor, estais ciente da ordem do imperador?” “Eu só conheço a ordem do Todo-Poderoso, não a do imperador”, respondeu o bispo. O magistrado replicou: “Aconselho-vos a proceder com calma para que eu não tenha de condenar-vos”. Como São Nestor se mantivesse inflexível, foi ameaçado com tortura, mas respondeu: “A única tortura que temo é a que Deus possa infligir-me. Podes estar certo de que, no tormento e fora dele, não deixarei de confessar a Deus.”
Contra sua vontade, a corte teve de enviá-lo ao governador. O irenarca conduziu-o, pois, a Perge. Embora não tivesse amigos nessa cidade, sua fama o precedera, de modo que os magistrados começaram por rogar-lhe, com amabilidade e cortesia, que abjurasse sua religião. Nestor recusou-se firmemente. Então Pólio ordenou que o estendessem no potro. Enquanto o verdugo lhe rasgava os flancos com garfos de ferro, Nestor cantava: “Em todo tempo darei graças ao Senhor e minha boca não cessará de louvá-lo”. O juiz perguntou se não se envergonhava de confiar em um homem que morrera crucificado. Néstor respondeu: “Bendita seja então minha vergonha e a de todos os que invocam o Senhor.” Pólio disse: “Vais oferecer sacrifícios ou não? Estás com Cristo ou conosco?” O mártir replicou: “Com Cristo agora e sempre; com Ele estou agora e com Ele estarei eternamente.” Então Pólio o condenou a morrer crucificado. Da cruz, São Néstor exortava e animava os cristãos que o rodeavam. Sua morte foi um verdadeiro triunfo, pois, ao pronunciar suas últimas palavras: “Meus filhos, prostremo-nos e oremos a Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo”, cristãos e pagãos ajoelharam-se para orar, enquanto o mártir exalava o último suspiro.

O texto menos incorreto do martírio de São Nestor é o latino que se encontra em Acta Sanctorum, fevereiro, vol. III. Não existe o original grego. Pio Franchi de Cavalieri, Note Agiografiche, em Studi e Testi, vol. XXII, p. 97, concorda com Allard em que o documento “tem sabor de grande antiguidade”, embora não se possa afirmar com certeza que se trate do relato autêntico de um contemporâneo. Na mesma obra, Franchi publicou outra recensão grega. Cf. também, BHG, 2ª ed., n. 1328.1

São Alexandre, que sucedeu a São Aquiles na sede de Alexandria, é famoso sobretudo por ter-se oposto à heresia de Ário, sacerdote alexandrino que começou a propagar abertamente suas doutrinas durante o governo de São Alexandre. O bispo era homem de vida e doutrina apostólicas, muito caritativo com os pobres, cheio de fé, zelo e fervor. Admitia de preferência às ordens sagradas aqueles que se haviam santificado na solidão e foi muito acertado na escolha dos bispos em todo o Egito. Pareceria que o demônio, furioso com o descrédito crescente da idolatria, tivesse procurado reparar suas perdas fomentando a heresia do ímpio Ário. O heresiarca ensinava não apenas que Cristo não era Deus, mas que era simples criatura; que o Verbo começara a existir e que era capaz de pecar. Alguns cristãos escandalizaram-se com a paciência de São Alexandre, cuja bondade natural o levou a empregar, a princípio, os meios mais suaves com Ário, discutindo suas doutrinas e suplicando-lhe que voltasse à ortodoxia. Como a tentativa fracassasse e a doutrina de Ário começasse a ganhar partidários, o bispo convocou o heresiarca diante de uma assembleia do clero, que o excomungou ao ver sua obstinação. Ário foi ainda julgado por outro concílio de Alexandria, que confirmou a sentença anterior. São Alexandre escreveu uma carta ao bispo Alexandre de Constantinopla e uma encíclica aos demais bispos, nas quais expunha a heresia e anunciava a condenação do heresiarca. Essas duas cartas são as únicas conservadas, embora São Alexandre tenha mantido extensa correspondência sobre o tema.
Em 325, os legados papais assistiram ao Concílio Ecumênico de Niceia, convocado para discutir a questão. Ário também estava presente. Marcelo de Ancira e o diácono Santo Atanásio, que haviam acompanhado São Alexandre, expuseram a falsidade das novas doutrinas e refutaram profundamente os arianos. O Concílio condenou enfática e irrevogavelmente o arianismo, e o imperador Constantino desterrou Ário e alguns de seus partidários para a Ilíria. Após esse triunfo da fé, São Alexandre retornou a Alexandria, onde morreu dois anos depois, deixando como sucessor Santo Atanásio.
Não existe propriamente uma biografia de São Alexandre; mas Sócrates, Sozômeno e Teodoreto deixaram muitos dados sobre ele. Ver Acta Sanctorum, fevereiro, vol. III; igualmente DCB, vol. 1, pp. 79-82; e Hefele-Leclercq, Conciles, vol. I, pp. 357 ss. e 636, nota.2
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 1, pp. 419-420.
2. Ibid. p. 420.






















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