Vida de São Joaquim, Pai da Virgem Maria e São Roque (16 de agosto)
- 16 de ago. de 2025
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Atualizado: 16 de ago.

São Pedro Damião dizia que era uma curiosidade vã e culpável tentar averiguar o que os Evangelistas não escreveram e dava como exemplo a curiosidade acerca dos pais da Santíssima Virgem. De qualquer forma, os que não estão de acordo com o santo dificilmente poderão satisfazer sua curiosidade neste ponto. Os únicos escritos que pretendem possuir alguns dados sobre os pais de Maria são apócrifos, como o “Protoevangelho de Tiago”, que apesar de seu nome não tem nada da autenticidade da Sagrada Escritura. Até mesmo os nomes dos pais de Maria, Joaquim e Ana, provêm dos apócrifos. Na realidade, não possuímos nenhum dado certo sobre eles, mas não é ilícito aceitar as piedosas crenças procedentes dos apócrifos que não se opõem à doutrina da Igreja e a outras verdades certas. Como dissemos em nosso artigo sobre Santa Ana (26 de julho), uma tradição muito difundida, que se deriva do “Protoevangelho de Tiago”, sustenta que a Virgem Maria nasceu como fruto de uma promessa que o Céu fez a seus pais em resposta a suas orações.
No Oriente se celebra desde época muito antiga a festa de São Joaquim e de Santa Ana no dia 9 de setembro. Já no Ocidente, a festa de São Joaquim só começou a ser celebrada no século XV. Em 1913, fixou-se o dia 16 de agosto como data da festa do santo.
Veja-se a nota bibliográfica do artigo sobre Santa Ana (26 de julho).1

Na Itália e na França já se venerava São Roque no século XV. Segundo uma biografia escrita em 1478 pelo veneziano Francisco Diedo, Roque era filho do governador de Montpellier. Ficou órfão aos vinte anos e fez uma peregrinação a Roma. Durante a epidemia de peste que se desencadeou naquela época, dedicou-se ao cuidado dos enfermos em Acquapendente, Cesena, Roma, Rimini e Novara, e conseguiu curar a muitos apenas fazendo sobre eles o sinal da cruz. Em Piacenza contraiu a doença e, como não queria ser um peso para nenhum hospital, arrastou-se até os arredores da cidade para morrer sozinho. Mas um cão o alimentou milagrosamente [trazendo pão diariamente, além de ter nascido uma fonte de agua da terra]. O cão pertenceria a um homem rico, de nome Gottardo Palastrelli, que apercebendo-se miraculosamente da presença de Roque, o teria ajudado, sendo por ele convertido a emendar a sua má vida. Quando recuperou as forças, o santo voltou à cidade, onde curou milagrosamente muitas pessoas e numerosas cabeças de gado.
Finalmente retornou a Montpellier. Seu tio não o reconheceu. O santo esteve preso por cinco anos e morreu na prisão. Quando os guardas foram examinar o cadáver, perceberam que era o filho do antigo governador da cidade, pois tinha no peito uma marca de nascença em forma de cruz. Toda a cidade acudiu aos funerais, e o santo continuou a operar numerosos milagres depois de morto. Outra biografia, mais antiga, mais curta e mais simples, conta que São Roque foi preso porque foi confundido com um espião e que morreu prisioneiro em Angera da Lombardia. Segundo a Legenda Áurea, a respeito de sua morte na prisão, consta o seguinte:

“[...] E São Roque, como peregrino em penitência, ardendo no amor de Deus, encaminhou-se para sua pátria e chegou a uma província da Lombardia chamada Angleria, e dali seguiu em direção à Alemanha, onde o senhor daquela província guerreava contra seu inimigo. Os cavaleiros deste o prenderam, tomando-o por espião, e o entregaram ao seu senhor como traidor. Este bem-aventurado santo, sempre confessando a Jesus Cristo, foi lançado em uma prisão dura e estreita, a qual aceitou com paciência e alegria. De dia e de noite, recordando o nome de Jesus, recomendava-se a Deus, pedindo que a prisão lhe fosse como um deserto de penitência. E ali permaneceu por cinco anos em oração.
No fim do quinto ano, quando Deus quis levá-lo à companhia dos santos, o homem que lhe levava alimento diariamente viu uma grande luz resplandecendo na prisão e São Roque de joelhos em oração, e contou tudo ao seu senhor. A notícia correu pela cidade e muitos acorreram para ver o prodígio, louvando a Deus e acusando o senhor de crueldade.
Quando Roque percebeu que chegava o fim de sua vida, chamou o carcereiro e pediu-lhe que suplicasse a seu senhor, em nome de Deus e da Virgem Maria, que lhe enviasse um sacerdote para confessar-se. Assim foi feito. Depois de confessar-se e receber a bênção, pediu para ficar a sós por três dias em contemplação da Paixão de Cristo. Concederam-lhe tal graça. No fim do terceiro dia, apareceu-lhe o anjo de Deus dizendo: “Ó Roque, Deus me envia por tua alma; pede agora o que desejares”.

São Roque então orou com devoção, pedindo que todos os cristãos que invocassem reverentemente o nome de Jesus por sua intercessão fossem preservados do flagelo da peste. Feita a oração, entregou sua alma.
Logo um anjo trouxe do Céu uma tábua escrita em letras de ouro, que colocou sob sua cabeça, na qual estava escrito que Deus atendera sua súplica: todo aquele que invocasse humildemente São Roque seria preservado da peste.
No terceiro dia, quando mandaram libertá-lo, encontraram-no já falecido, e a prisão cheia de luz, com um grande círio aceso à sua cabeça e outro aos pés. Sob sua cabeça acharam a tábua que revelava seu nome. Reconheceu-se então que era Roque de Montpellier, sobrinho do senhor da província, o que antes não sabiam. Penitentes e contritos, os habitantes o sepultaram com solenidade, e pouco depois foi gloriosamente canonizado pelo papa. Em sua honra, ergueram uma grande igreja.

Que nós também, com devoção, oremos a este glorioso santo, São Roque, para que por sua intercessão sejamos libertos da peste e da morte súbita, e, vivendo nesta vida em penitência, alcancemos a vida eterna no Céu. Amém. Sua festa celebra-se no dia seguinte à Assunção de Nossa Senhora.”2
A popularidade e rápida difusão do culto a São Roque, que não se extinguiu em nossos dias, foi verdadeiramente extraordinária. Ele é invocado sobretudo contra a peste. O Martirológio Romano o menciona, e sua festa é celebrada em muitos lugares. Não existem provas de que São Roque tenha sido terciário franciscano, mas os franciscanos o veneram como tal.
Ver Acta Sanctorum, agosto, vol. 1; Le problème de S. Roch, de A. Fliche, em Analecta Bollandiana, vol. lxviii (1950), pp. 343-361. A melhor prova da popularidade de São Roque é a longa lista de livros e artigos citados por Chevalier em Bio-bibliographie. A obra de G. Ceroni, San Rocco nella vita... (1927), é moderna e de interesse geral. Veja-se também M. Bessodes, San Rocco, storia e leggende (1931); e A. Maurino, San Rocco, confronti storici (1936) (cf. Analecta Bollandiana, vol. lv, 1937, p. 193). É curioso encontrar na Inglaterra certas marcas do culto de São Roque. Há uma biografia curta, de tipo popular, em Léon, Auréole Séraphique (trad. ingl.), vol. II, pp. 11-21.3
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 340–341.
2. VORAGINE, Jacobus de. Legenda Aurea. Tradução de William Caxton. Disponível em: https://www.christianiconography.info/goldenLegend/roch.htm.
3. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 3, pp. 341-342.






















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