Festa de São João ante a Porta Latina (6 de maio)
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† SÃO JOÃO ANTE A PORTA LATINA (¿94? d.C.) †
S. Ioannis ante Portam Latinam
O primeiro parágrafo do Martirológio Romano, no dia 6 de maio, diz o seguinte:
“Em Roma, a comemoração de São João diante da Porta Latina, o qual, por ordem de Domiciano, foi levado prisioneiro de Éfeso a Roma. O senado o condenou a morrer em um caldeirão de óleo fervente, diante dessa Porta; mas o santo saiu da prova mais forte e jovem do que antes.”
A expressão “mais forte e jovem” (“purior atque vegetior”) encontra-se no Adversus Jovinianum (1, 26) de São Jerônimo, que a tomou, por sua vez, de Tertuliano (De praescriptionibus c. 36). Alban Butler, que segue nisso os bolandistas e os críticos de seu tempo, como Tillemont, não discute a historicidade do fato e considera São João como mártir. Resumimos a seguir seu artigo.

Quando Tiago e João, filhos de Zebedeu, que ainda não haviam compreendido o mistério da cruz e a natureza do Reino de Cristo, recorreram à sua mãe para pedir ao Senhor que os colocasse no lugar de honra no dia de seu triunfo, Jesus Cristo lhes perguntou se estavam dispostos a beber o seu cálice. Ambos os irmãos asseguraram ousadamente ao Senhor que estavam prontos a sofrer tudo por sua causa. Então, Jesus Cristo lhes predisse que sua sinceridade seria posta à prova e que partilhariam com Ele o seu cálice da Paixão. No caso de Tiago, que morreu às mãos de Herodes, a profecia se cumpriu literalmente. A Igreja celebra hoje a maneira especial como se cumpriu a profecia no caso de São João. Na verdade, o discípulo amado, que tanto amava seu Mestre, já havia participado do cálice do Senhor no Calvário. Mas a profecia de Cristo ainda se cumpriria de modo especial, o que lhe valeria o mérito e a coroa do martírio. O instrumento do qual o Senhor se serviu para cumprir sua palavra, cinquenta anos depois, foi Domiciano, o último dos doze césares. Domiciano, que se distinguiu entre os imperadores romanos pela crueldade de sua tirania, desencadeou a segunda perseguição. São João era o último sobrevivente dos Apóstolos e era objeto da maior veneração por parte dos cristãos de Éfeso, de onde governava as igrejas da Ásia. Ali foi preso e enviado como prisioneiro a Roma, por volta do ano 94. Sem levar em conta a idade avançada e a bondade da vítima, o imperador o condenou a uma forma de morte especialmente selvagem. Provavelmente os verdugos, de acordo com o costume romano, açoitaram São João antes de lançá-lo no caldeirão de óleo fervente. Sem dúvida o santo estava cheio de alegria diante da perspectiva de dar sua vida pela fé e de reunir-se com seu Mestre. Deus aceitou seu sacrifício e, em certo sentido, cumpriu seu desejo, concedendo-lhe o mérito do martírio, mas suspendeu o efeito do fogo, como havia feito no caso dos três jovens lançados na fornalha na Babilônia. O óleo fervente transformou-se em um banho refrescante. Vendo isso, Domiciano, que era muito inclinado à magia e que, segundo a tradição, já tivera ocasião de presenciar outro "milagre" quando Apolônio de Tiana compareceu diante dele, contentou-se em desterrar o Apóstolo para a ilha de Patmos. Ao que parece, durante o reinado de Nerva, que foi muito mais benigno que seu predecessor, São João voltou a Éfeso, onde morreu pacificamente.

A origem dessa celebração é incerta, embora os formulários próprios da Missa já apareçam nos antigos Sacramentários Gelasiano e Gregoriano. No local onde hoje se encontra a igreja de São João diante da Porta Latina, o Papa Adriano teria erguido a primeira construção, cuja dedicação possivelmente se deu nesta data. É também atribuída ao tempo do Papa Gelásio a provável edificação da basílica associada ao episódio. O testemunho de Tertuliano, ainda no século II, indica que o fato já era conhecido nas primeiras gerações cristãs, o que sugere uma tradição antiga, preservada entre os fiéis em meio às perseguições. Segundo Mons. Duchesne, a escolha do dia 6 de maio pode estar ligada à memória de um milagre de São João celebrado no calendário bizantino em 8 de maio, em Éfeso. Já o Missale Gothicum registra uma Missa em honra de São João Evangelista celebrada no mês de maio, logo após a festa da Invenção da Cruz.
Por um "Motu Proprio" do antipapa João XXIII, de 25 de julho de 1960, suprimiu esta festa do Calendário Romano.
Ver L. Duchesne, Liber Pontificalis, vol. 1, pp. 508, 521, e Christian Worship (1920), pp. 281-282. Sobre o problema em conjunto, ver K. A. Kellner, Heortology (1908), p. 298.1
Referências:
1. Butler, Alban. Vida dos Santos, vol. 2, pp. 230-231.






















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